Campos elétricos de barras, anéis e discos com carga

Divida um corpo com carga em elementos suficientemente pequenos para serem tratados como cargas pontuais. Some os seus campos vetorialmente e faça os elementos tender para zero: essa soma dá lugar ao integral. A simetria simplifica grande parte do trabalho. A cada elemento corresponde outro, simétrico, cujas componentes transversais do campo se anulam. Numa distribuição simétrica, basta então integrar uma componente. Escolha a forma, desloque P e defina quantos elementos entram na soma.

Some vetorialmente os campos dos elementos E⃗=k∫dqr2 r^,k=14πε0\vec E=k\int\frac{dq}{r^{2}}\,\hat r,\qquad k=\frac{1}{4\pi\varepsilon_0}
Ou some os potenciais como escalares e depois derive V=k∫dqr,Ez=−∂V∂zV=k\int\frac{dq}{r},\qquad E_z=-\frac{\partial V}{\partial z}
A carregar a simulação interativa...

Lição

A teoria — Campos elétricos de barras, anéis e discos com carga

O campo de uma distribuição contínua de carga é a soma vetorial dos campos dos seus elementos, no limite em que cada elemento dq pode ser tratado como uma carga pontual: E = k∫dq r̂/r², com k = 1/(4πε₀) = 8,988 × 10⁹ N·m²/C². O potencial obtém-se somando contribuições escalares, V = k∫dq/r.

O que significa cada símbolo

dq
carga de um elemento: λ dx numa linha, σ dA numa superfície
λ, σ
densidades linear e superficial de carga; Q/L e Q/(πR²) quando a distribuição é uniforme
r, θ
distância do elemento a P e ângulo entre a linha que os une e o eixo

De onde vem a fórmula

  1. Divida a carga em elementos. Cada elemento tem carga dq e produz em P o campo de uma carga pontual: k dq/r², segundo a linha que une o elemento a P.
    dq=λ dx,dE=k dqr2dq=\lambda\,dx,\qquad dE=\frac{k\,dq}{r^{2}}
  2. Associe cada elemento ao seu simétrico. O elemento do outro lado do eixo produz um campo com o mesmo módulo e componente transversal oposta. As componentes transversais anulam-se; resta somar a componente segundo o eixo, dE cos θ = dE·z/r.
    dEz=dEcos⁡θ=k dqr2⋅zrdE_z=dE\cos\theta=\frac{k\,dq}{r^{2}}\cdot\frac{z}{r}
  3. Integre essa componente. Num anel, todos os elementos estão à mesma distância √(z² + R²) de P. O fator que multiplica dq é, por isso, constante, e o integral é igual a esse fator multiplicado por Q.
    E=∫kz dq(z2+R2)3/2=kQz(z2+R2)3/2E=\int\frac{kz\,dq}{\left(z^{2}+R^{2}\right)^{3/2}}=\frac{kQz}{\left(z^{2}+R^{2}\right)^{3/2}}
  4. Decomponha o disco em anéis. Um anel de raio r e largura dr tem carga dq = σ·2πr dr. Some os campos dos anéis, calculados no passo 3, de r = 0 até R.
    E=∫0Rkz σ 2πr dr(z2+r2)3/2=σ2ε0(1−zz2+R2)E=\int_{0}^{R}\frac{kz\,\sigma\,2\pi r\,dr}{\left(z^{2}+r^{2}\right)^{3/2}}=\frac{\sigma}{2\varepsilon_0}\Bigl(1-\frac{z}{\sqrt{z^{2}+R^{2}}}\Bigr)
  5. Ou integre o potencial e derive. V é uma soma de grandezas escalares, pelo que dispensa a decomposição em componentes. O campo segundo o eixo é o simétrico da derivada de V em relação à coordenada axial.
    V=k∫dqr=kQz2+R2,Ez=−dVdz=kQz(z2+R2)3/2V=k\int\frac{dq}{r}=\frac{kQ}{\sqrt{z^{2}+R^{2}}},\qquad E_z=-\frac{dV}{dz}=\frac{kQz}{\left(z^{2}+R^{2}\right)^{3/2}}
Pressupõe
A carga está fixa e uniformemente distribuída, salvo quando o problema dá λ ou σ em função da posição. Nesse caso, essa função entra no integral através de dq. Considera-se o vácuo, ou o ar, cuja permitividade é 0,06% superior.

Problemas resolvidos na íntegra

  1. Uma barra, no seu prolongamento 3 passos

    Uma barra de 10 cm tem uma carga de 10 nC uniformemente distribuída. Determine o campo no prolongamento da barra, a 5 cm de uma extremidade.

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    1. Coloque a barra sobre o eixo x, de x = 0 a x = L, e P em x = L + d. Um elemento dx na posição x está à distância L + d − x de P. Os campos de todos os elementos têm a direção da barra e o mesmo sentido, pelo que não há componentes a anular nem a decompor:

      dE=kλ dx(L+d−x)2,λ=QL=1.0×10−7 C/mdE=\frac{k\lambda\,dx}{(L+d-x)^{2}},\qquad\lambda=\frac{Q}{L}=1{.}0\times10^{-7}\ \mathrm{C/m}
    2. Integre ao longo da barra:

      E=kλ∫0Ldx(L+d−x)2=kλ(1d−1d+L)=kQd (d+L)E=k\lambda\int_{0}^{L}\frac{dx}{(L+d-x)^{2}}=k\lambda\Bigl(\frac{1}{d}-\frac{1}{d+L}\Bigr)=\frac{kQ}{d\,(d+L)}
    3. Com d = 0,05 m e L = 0,10 m:

      E=(8.988×109)(1.0×10−8)(0.05)(0.15)=1.198×104 N/CE=\frac{(8{.}988\times10^{9})(1{.}0\times10^{-8})}{(0{.}05)(0{.}15)}=1{.}198\times10^{4}\ \mathrm{N/C}

    Resposta

    1,198 × 10⁴ N/C, na direção da barra e no sentido de afastamento desta. Quando d é muito maior do que L, a expressão aproxima-se de kQ/d², o campo de uma carga pontual.

    E=kQd (d+L)≈1.198×104 N/CE=\frac{kQ}{d\,(d+L)}\approx1{.}198\times10^{4}\ \mathrm{N/C}
  2. Uma barra na mediatriz e a linha infinita 4 passos

    Uma barra de 20 cm tem uma carga de 10 nC. Determine o campo na mediatriz, a 10 cm do ponto médio, e compare-o com o de uma linha infinita com a mesma carga por metro.

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    1. Coloque a barra sobre o eixo x, de −L/2 a L/2, e P em (0, y). Os elementos nas posições x e −x estão à mesma distância de P. As componentes dos seus campos segundo x anulam-se e as componentes segundo y somam-se. Integre, portanto, a componente segundo y:

      dEy=kλ dxx2+y2⋅yx2+y2dE_y=\frac{k\lambda\,dx}{x^{2}+y^{2}}\cdot\frac{y}{\sqrt{x^{2}+y^{2}}}
    2. Integre, usando ∫dx/(x² + y²)^(3/2) = x/(y²√(x² + y²)):

      E=kλy∫−L/2L/2dx(x2+y2)3/2=kλLyy2+L2/4=kQyy2+L2/4E=k\lambda y\int_{-L/2}^{L/2}\frac{dx}{\left(x^{2}+y^{2}\right)^{3/2}}=\frac{k\lambda L}{y\sqrt{y^{2}+L^{2}/4}}=\frac{kQ}{y\sqrt{y^{2}+L^{2}/4}}
    3. Com λ = 5,0 × 10⁻⁸ C/m, y = 0,10 m e L = 0,20 m:

      E=(8.988×109)(1.0×10−8)(0.10)0.102+0.102≈6355 N/CE=\frac{(8{.}988\times10^{9})(1{.}0\times10^{-8})}{(0{.}10)\sqrt{0{.}10^{2}+0{.}10^{2}}}\approx6355\ \mathrm{N/C}
    4. Faça L tender para infinito: a raiz quadrada aproxima-se de L/2 e obtém-se

      E→2kλy=2 (8.988×109)(5.0×10−8)0.10≈8988 N/CE\to\frac{2k\lambda}{y}=\frac{2\,(8{.}988\times10^{9})(5{.}0\times10^{-8})}{0{.}10}\approx8988\ \mathrm{N/C}

    Resposta

    6 355 N/C, perpendicular à barra. A linha infinita produz 8 988 N/C, pelo que o campo da barra finita corresponde a 70,7% desse valor, ou seja, sin 45°: cada metade da barra subtende 45° em relação à perpendicular.

    E≈6355 N/C=0.707⋅2kλyE\approx6355\ \mathrm{N/C}=0{.}707\cdot\frac{2k\lambda}{y}
  3. Um anel no seu eixo e o máximo do campo 4 passos

    Um anel de raio 10 cm tem uma carga de 10 nC. Determine o campo no eixo, a 10 cm do centro, e a distância a que o campo axial é máximo.

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    1. Todos os elementos estão à mesma distância √(z² + R²) de P. As componentes transversais anulam-se ao longo do anel, e cada elemento contribui com dE·z/r segundo o eixo:

      E=∫k dqr2⋅zr=kz(z2+R2)3/2∫dq=kQz(z2+R2)3/2E=\int\frac{k\,dq}{r^{2}}\cdot\frac{z}{r}=\frac{kz}{\left(z^{2}+R^{2}\right)^{3/2}}\int dq=\frac{kQz}{\left(z^{2}+R^{2}\right)^{3/2}}
    2. Para z = R = 0,10 m:

      E=(8.988×109)(1.0×10−8)(0.10)(0.02)3/2≈3178 N/CE=\frac{(8{.}988\times10^{9})(1{.}0\times10^{-8})(0{.}10)}{(0{.}02)^{3/2}}\approx3178\ \mathrm{N/C}
    3. Para encontrar o máximo, imponha dE/dz = 0:

      dEdz=kQ (z2+R2)−3z2(z2+R2)5/2=0 ⇒ z=R2≈7.07 cm\frac{dE}{dz}=kQ\,\frac{\left(z^{2}+R^{2}\right)-3z^{2}}{\left(z^{2}+R^{2}\right)^{5/2}}=0\ \Rightarrow\ z=\frac{R}{\sqrt{2}}\approx7{.}07\ \mathrm{cm}
    4. Nesse ponto:

      Emax⁡=kQ (R/2)(32R2)3/2=2kQ33 R2≈3459 N/CE_{\max}=\frac{kQ\,(R/\sqrt{2})}{\left(\tfrac{3}{2}R^{2}\right)^{3/2}}=\frac{2kQ}{3\sqrt{3}\,R^{2}}\approx3459\ \mathrm{N/C}

    Resposta

    3 178 N/C a 10 cm; o máximo é 3 459 N/C, em z = 7,07 cm. No centro, o campo é nulo.

    E(0.10 m)≈3178 N/C,E(R2)=Emax⁡≈3459 N/CE(0{.}10\ \mathrm{m})\approx3178\ \mathrm{N/C},\qquad E\Bigl(\frac{R}{\sqrt{2}}\Bigr)=E_{\max}\approx3459\ \mathrm{N/C}
  4. Um disco no seu eixo, decomposto em anéis 3 passos

    Um disco de raio 10 cm tem uma carga de 10 nC uniformemente distribuída pela superfície. Determine o campo no eixo, a 1 cm do centro, e compare-o com o de um plano infinito com a mesma carga por metro quadrado.

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    1. σ = Q/(πR²) = 3,183 × 10⁻⁷ C/m². Divida o disco em anéis de raio r e largura dr. Cada anel tem carga dq = σ·2πr dr e produz o campo axial de um anel:

      dE=kz σ 2πr dr(z2+r2)3/2dE=\frac{kz\,\sigma\,2\pi r\,dr}{\left(z^{2}+r^{2}\right)^{3/2}}
    2. Integre de r = 0 até R, com a substituição u = z² + r², du = 2r dr:

      E=πkσz∫z2z2+R2u−3/2 du=2πkσ(1−zz2+R2)=σ2ε0(1−zz2+R2)E=\pi k\sigma z\int_{z^{2}}^{z^{2}+R^{2}}u^{-3/2}\,du=2\pi k\sigma\Bigl(1-\frac{z}{\sqrt{z^{2}+R^{2}}}\Bigr)=\frac{\sigma}{2\varepsilon_0}\Bigl(1-\frac{z}{\sqrt{z^{2}+R^{2}}}\Bigr)
    3. Para z = 0,01 m:

      E=3.183×10−72 (8.854×10−12)(1−0.010.012+0.102)=(1.798×104)(0.9005)≈1.619×104 N/CE=\frac{3{.}183\times10^{-7}}{2\,(8{.}854\times10^{-12})}\Bigl(1-\frac{0{.}01}{\sqrt{0{.}01^{2}+0{.}10^{2}}}\Bigr)=(1{.}798\times10^{4})(0{.}9005)\approx1{.}619\times10^{4}\ \mathrm{N/C}

    Resposta

    1,619 × 10⁴ N/C, ou seja, 90,0% do campo do plano infinito, σ/2ε₀ = 1,798 × 10⁴ N/C.

    E≈1.619×104 N/C≈0.900⋅σ2ε0E\approx1{.}619\times10^{4}\ \mathrm{N/C}\approx0{.}900\cdot\frac{\sigma}{2\varepsilon_0}
  5. Um semicírculo, no centro 3 passos

    Uma barra fina dobrada em semicírculo de raio 10 cm tem uma carga de 10 nC. Determine o campo no centro da circunferência.

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    1. λ = Q/(πR) = 3,183 × 10⁻⁸ C/m. Meça o ângulo φ a partir do diâmetro. O elemento na posição φ tem carga λR dφ e está à distância R. O seu simétrico, em π − φ, anula a componente segundo o diâmetro, restando a componente perpendicular a este:

      dE⊥=kλR dφR2sin⁡φdE_\perp=\frac{k\lambda R\,d\varphi}{R^{2}}\sin\varphi
    2. Integre ao longo do semicírculo:

      E=kλR∫0πsin⁡φ dφ=2kλR=2kQπR2E=\frac{k\lambda}{R}\int_{0}^{\pi}\sin\varphi\,d\varphi=\frac{2k\lambda}{R}=\frac{2kQ}{\pi R^{2}}
    3. Substituindo os valores:

      E=2 (8.988×109)(1.0×10−8)π (0.10)2≈5722 N/CE=\frac{2\,(8{.}988\times10^{9})(1{.}0\times10^{-8})}{\pi\,(0{.}10)^{2}}\approx5722\ \mathrm{N/C}

    Resposta

    5 722 N/C, segundo o eixo de simetria e no sentido de afastamento do ponto médio do arco. Uma linha infinita com o mesmo λ, à distância R, produz 2kλ/R, exatamente o mesmo valor.

    E=2kλR≈5722 N/CE=\frac{2k\lambda}{R}\approx5722\ \mathrm{N/C}
  6. Um quarto de circunferência, por componentes 3 passos

    Um quarto de circunferência de raio 10 cm tem uma carga de 10 nC. Determine o campo no centro, integrando ambas as componentes.

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    1. Coloque o arco entre φ = 0 e φ = π/2, com o centro na origem; λ = Q/(πR/2) = 6,366 × 10⁻⁸ C/m. Um elemento na posição φ produz em P um campo dirigido para longe do próprio elemento, segundo −(cos φ, sin φ). Aqui, nenhum elemento tem um par que anule uma das componentes:

      dEx=−kλRcos⁡φ dφ,dEy=−kλRsin⁡φ dφdE_x=-\frac{k\lambda}{R}\cos\varphi\,d\varphi,\qquad dE_y=-\frac{k\lambda}{R}\sin\varphi\,d\varphi
    2. Integre de 0 a π/2:

      Ex=Ey=−kλR=−(8.988×109)(6.366×10−8)0.10≈−5722 N/CE_x=E_y=-\frac{k\lambda}{R}=-\frac{(8{.}988\times10^{9})(6{.}366\times10^{-8})}{0{.}10}\approx-5722\ \mathrm{N/C}
    3. Combine as duas componentes:

      ∣E∣=2 kλR≈8092 N/C|E|=\sqrt{2}\,\frac{k\lambda}{R}\approx8092\ \mathrm{N/C}

    Resposta

    8 092 N/C, segundo a bissetriz a 45°, no sentido de afastamento do arco. Pela simetria, obtém-se o mesmo resultado: E = (2kλ/R) sin(θ₀/2), com θ₀ = 90°.

    ∣E∣=2 kλR=2kλRsin⁡45∘≈8092 N/C|E|=\sqrt{2}\,\frac{k\lambda}{R}=\frac{2k\lambda}{R}\sin45^{\circ}\approx8092\ \mathrm{N/C}
  7. O potencial de um anel e o campo que dele se obtém 2 passos

    Determine o potencial no eixo do anel do problema 3, em z = 10 cm, e obtenha o campo a partir do potencial.

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    1. Os potenciais somam-se como escalares, e todos os elementos estão à mesma distância:

      V=∫k dqz2+R2=kQz2+R2=89.880.02≈635.5 VV=\int\frac{k\,dq}{\sqrt{z^{2}+R^{2}}}=\frac{kQ}{\sqrt{z^{2}+R^{2}}}=\frac{89{.}88}{\sqrt{0{.}02}}\approx635{.}5\ \mathrm{V}
    2. Derive em relação à coordenada axial:

      Ez=−dVdz=kQz(z2+R2)3/2≈3178 N/CE_z=-\frac{dV}{dz}=\frac{kQz}{\left(z^{2}+R^{2}\right)^{3/2}}\approx3178\ \mathrm{N/C}

    Resposta

    V = 635,5 V, e −dV/dz recupera os 3 178 N/C do problema 3, sem ser necessário decompor o campo em componentes.

    V≈635.5 V,Ez=−dVdz≈3178 N/CV\approx635{.}5\ \mathrm{V},\qquad E_z=-\frac{dV}{dz}\approx3178\ \mathrm{N/C}
  8. Uma barra com distribuição de carga não uniforme 4 passos

    Uma barra ocupa o eixo x de x = 0 a x = 0,50 m e tem densidade linear de carga λ = αx, com α = 4,0 × 10⁻⁸ C/m². Determine a carga total e o campo em x = −0,10 m.

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    1. Como λ varia ao longo da barra, a carga total também se calcula por integração:

      Q=∫0Lαx dx=αL22=(4.0×10−8)(0.50)22=5.0×10−9 CQ=\int_{0}^{L}\alpha x\,dx=\frac{\alpha L^{2}}{2}=\frac{(4{.}0\times10^{-8})(0{.}50)^{2}}{2}=5{.}0\times10^{-9}\ \mathrm{C}
    2. O elemento na posição x está à distância x + d de P, com d = 0,10 m. Todos os elementos produzem em P um campo no sentido −x:

      E=kα∫0Lx dx(x+d)2E=k\alpha\int_{0}^{L}\frac{x\,dx}{(x+d)^{2}}
    3. Escreva x como (x + d) − d e integre cada parcela:

      ∫0Lx dx(x+d)2=ln⁡L+dd−LL+d=ln⁡6−56≈0.9584\int_{0}^{L}\frac{x\,dx}{(x+d)^{2}}=\ln\frac{L+d}{d}-\frac{L}{L+d}=\ln6-\frac{5}{6}\approx0{.}9584
    4. Substituindo os valores:

      E=(8.988×109)(4.0×10−8)(0.9584)≈344.6 N/CE=(8{.}988\times10^{9})(4{.}0\times10^{-8})(0{.}9584)\approx344{.}6\ \mathrm{N/C}

    Resposta

    Q = 5,0 nC e E = 344,6 N/C, no sentido −x. Os mesmos 5,0 nC uniformemente distribuídos produziriam kQ/(d(d + L)) = 749 N/C. Nesta barra, a maior parte da carga encontra-se na extremidade mais afastada.

    Q=5.0 nC,E≈344.6 N/CQ=5{.}0\ \mathrm{nC},\qquad E\approx344{.}6\ \mathrm{N/C}

Problemas suplementares, só com a resposta

  1. Uma barra de 30 cm tem uma carga de −6,0 nC uniformemente distribuída. Determine o campo no seu prolongamento, a 10 cm de uma extremidade.

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    1 348 N/C, dirigido para a barra.

    E=k∣Q∣d (d+L)≈1348 N/CE=\frac{k|Q|}{d\,(d+L)}\approx1348\ \mathrm{N/C}
  2. Um fio retilíneo muito comprido tem uma carga de 2,0 μC por metro. Determine o campo a 4,0 cm do fio.

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    8,988 × 10⁵ N/C, no sentido de afastamento do fio.

    E=2kλr≈8.988×105 N/CE=\frac{2k\lambda}{r}\approx8{.}988\times10^{5}\ \mathrm{N/C}
  3. Mostre que o campo axial de um anel se aproxima de kQ/z² quando z é muito maior do que R e determine a distância a partir da qual o desvio em relação a esse valor é inferior a 1%.

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    A razão é (1 + R²/z²)^(−3/2), que tende para 1; atinge 0,99 em z = 12,2R.

    EkQ/z2=(1+R2z2)−3/2≥0.99 ⇔ z≥12.2R\frac{E}{kQ/z^{2}}=\Bigl(1+\frac{R^{2}}{z^{2}}\Bigr)^{-3/2}\ge0{.}99\ \Leftrightarrow\ z\ge12{.}2R
  4. Um disco de raio 5,0 cm tem densidade superficial de carga σ = 2,0 μC/m². Determine o potencial no centro e a 5,0 cm do centro sobre o eixo.

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    5 647 V no centro e 2 339 V em z = 5,0 cm.

    V(0)=σR2ε0≈5647 V,V(R)=σR2ε0(2−1)≈2339 VV(0)=\frac{\sigma R}{2\varepsilon_0}\approx5647\ \mathrm{V},\qquad V(R)=\frac{\sigma R}{2\varepsilon_0}\bigl(\sqrt{2}-1\bigr)\approx2339\ \mathrm{V}
  5. Um anel de raio R tem uma carga +Q uniformemente distribuída por uma metade e −Q pela outra. Determine o campo no centro.

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    4kQ/(πR²), da metade positiva para a negativa: cada metade produz 2kQ/(πR²), e ambos os campos têm o mesmo sentido.

    E=2⋅2kQπR2=4kQπR2E=2\cdot\frac{2kQ}{\pi R^{2}}=\frac{4kQ}{\pi R^{2}}
  6. Uma barra de comprimento L tem uma carga Q uniformemente distribuída. Determine o potencial na mediatriz, a uma distância y da barra.

    Mostrar resposta

    V = (2kQ/L) ln[(L/2 + √(y² + L²/4))/y].

    V=2kQLln⁡L/2+y2+L2/4yV=\frac{2kQ}{L}\ln\frac{L/2+\sqrt{y^{2}+L^{2}/4}}{y}

O campo de um anel é máximo em z = R/√2 e nulo no centro

Prima Máximo do campo do anel. No centro, a cada elemento do anel corresponde outro diametralmente oposto, pelo que o campo é exatamente zero. Muito longe, sobre o eixo, o anel comporta-se como uma carga pontual e o campo decresce como 1/z². Entre estas regiões, o campo tem de crescer e depois diminuir. Ao impor dE/dz = 0 para kQz/(z² + R²)^(3/2), obtém-se z² + R² = 3z². O máximo ocorre, portanto, em z = R/√2 ≈ 0,707R, onde E = 2kQ/(3√3 R²). Para um anel de raio 10 cm com 10 nC, o valor é 3 459 N/C, apenas 38,5% do campo que a mesma carga pontual produziria a 10 cm de distância. Perto do anel, a maior parte do campo de cada elemento é transversal ao eixo, e essas componentes anulam-se.

Perto de um disco grande com carga, o campo quase não varia com a distância

Prima Perto de um disco. A 1 cm de um disco de raio 10 cm, sobre o eixo, o campo é 90,0% de σ/2ε₀, o campo de um plano infinito. A 1 mm, atinge 99,0%. A explicação está na geometria da fórmula. Escreva 1 − z/√(z² + R²) como 1 − cos α, sendo α o ângulo entre o eixo e a linha que une P ao bordo. O campo fica E = kσΩ, onde Ω = 2π(1 − cos α) é o ângulo sólido subtendido pelo disco em P. Para uma superfície plana com carga uniforme, a componente perpendicular do campo depende apenas da porção do céu ocupada pela carga. Um plano infinito ocupa sempre metade do céu, Ω = 2π, pelo que o campo a 1 mm é igual ao campo a 1 km. Ao afastar P, cada elemento fica mais longe e contribui menos, mas uma área maior do plano passa a contribuir com um ângulo favorável, compensando exatamente essa redução.

Um semicírculo e uma linha infinita produzem o mesmo campo

Prima Centro do semicírculo. Uma carga de 10 nC distribuída por um semicírculo de raio 10 cm produz 5 722 N/C no centro. A tabela volta a indicar 5 722 N/C para uma linha retilínea infinita com a mesma carga por metro, à distância de 10 cm. A igualdade verifica-se elemento a elemento. Visto de P, um segmento dx da linha, numa direção que faz um ângulo θ com a perpendicular, está à distância R/cos θ e subtende um ângulo dθ = cos²θ dx/R. O seu campo, kλ dx cos²θ/R², é então kλ dθ/R e depende apenas do ângulo. O elemento do arco que subtende o mesmo dθ tem comprimento R dθ, está à distância R e produz o mesmo campo kλ dθ/R, na mesma direção e sentido. Assim, uma barra retilínea e o arco de raio R que subtende os mesmos ângulos produzem campos iguais. Defina θ₀ abaixo de 180°: a última linha da tabela corresponde a essa barra.

Percurso de aprendizagem

De onde vêm os campos

Referências (3)