A regra dos 37%

Os candidatos chegam um a um, por ordem aleatória. Pode comparar cada um com os anteriores, mas tem de decidir logo se o aceita ou rejeita. Não pode voltar atrás. Escolha quantos rejeitar à partida; a regra escolhe depois o primeiro candidato que superar todos os rejeitados.

Probabilidade de escolher o melhor, rejeitando k P(k)=kn∑i=k+1n1i−1P(k)=\frac{k}{n}\sum_{i=k+1}^{n}\frac{1}{i-1}
Melhor ponto de corte, n grande k∗≈nek^*\approx\frac{n}{e}
Probabilidade correspondente P(k∗)→1e≈0.3679P(k^*)\to\frac{1}{e}\approx0.3679
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Lição

A teoria — A regra dos 37%

No problema da secretária, n candidatos chegam por ordem aleatória. Cada candidato só pode ser comparado com os anteriores e tem de ser aceite ou rejeitado no momento, sem possibilidade de rever a decisão. A regra de corte rejeita os primeiros k e aceita depois o primeiro candidato que os superar a todos.

De onde vem a fórmula

  1. Separe os casos pela posição do melhor. Seja B a posição do melhor candidato e W o acontecimento de o escolher. Todas as posições de 1 a n são igualmente prováveis para B.
    P(B=i)=1n,i=1,…,nP(B=i)=\frac{1}{n},\qquad i=1,\dots,n
  2. Se o melhor estiver entre os primeiros k, perde-se. A regra não permite voltar atrás, por isso essas posições não contribuem para a probabilidade de sucesso.
    B≤k:P(W∣B)=0B\le k:\quad P(W\mid B)=0
  3. O melhor, na posição i > k, só chega a ser escolhido se nenhum candidato entre k + 1 e i − 1 tiver sido aceite. Isso acontece precisamente quando o melhor dos primeiros i − 1 está entre os primeiros k: só assim nenhum dos candidatos intermédios supera a referência. Qualquer um dos i − 1 tem a mesma probabilidade de ser o melhor desse grupo.
    B=i>k:P(W∣B=i)=ki−1B=i>k:\quad P(W\mid B=i)=\frac{k}{i-1}
  4. Some as contribuições de todas as posições.
    P(k)=∑i=k+1n1n⋅ki−1=kn∑i=k+1n1i−1P(k)=\sum_{i=k+1}^{n}\frac{1}{n}\cdot\frac{k}{i-1}=\frac{k}{n}\sum_{i=k+1}^{n}\frac{1}{i-1}
  5. Faça n crescer. Com x = k/n, a soma dá lugar a um integral e a probabilidade tende para −x ln x. A derivada, −ln x − 1, anula-se em x = 1/e, onde a probabilidade é 1/e ≈ 36,79%.
    P≈x∫x1dtt=−xln⁡x,ddx(−xln⁡x)=−ln⁡x−1=0  ⟺  x=1eP\approx x\int_{x}^{1}\frac{dt}{t}=-x\ln x,\qquad\frac{d}{dx}\left(-x\ln x\right)=-\ln x-1=0\iff x=\frac{1}{e}
Pressupõe
Conhece-se apenas a classificação relativa, nunca as pontuações; todas as ordens são igualmente prováveis; não se pode recuperar um candidato rejeitado e o candidato escolhido aceita sempre; qualquer escolha que não seja o melhor candidato conta como uma derrota.

Problemas resolvidos na íntegra

  1. Três candidatos, todas as ordens possíveis 3 passos

    Três candidatos chegam por ordem aleatória. Represente cada ordem pelas classificações dos candidatos à chegada (1 = melhor). Se rejeitar o primeiro e escolher depois o primeiro que superar todos os anteriores, em quantas das seis ordens escolhe o melhor? Confirme o resultado com a fórmula.

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    1. As seis ordens:

      123,132,213,231,312,321123,\quad 132,\quad 213,\quad 231,\quad 312,\quad 321
    2. O primeiro candidato estabelece a referência. Nas ordens 213 e 231, o melhor supera o 2; em 312, o 1 chega em segundo lugar e é escolhido. Em 123 e 132, ninguém supera o 1 rejeitado, pelo que se escolhe o último. Em 321, o 2 supera o 3 e é escolhido antes de chegar o 1:

      213→1,231→1,312→1;123→3,132→2,321→2213\to1,\quad 231\to1,\quad 312\to1;\qquad 123\to3,\quad 132\to2,\quad 321\to2
    3. Pela fórmula, com n = 3 e k = 1:

      P(1)=13(11+12)=13⋅32=12P(1)=\frac{1}{3}\left(\frac{1}{1}+\frac{1}{2}\right)=\frac{1}{3}\cdot\frac{3}{2}=\frac{1}{2}

    Resposta

    3 das 6 ordens, ou seja, uma probabilidade de 1/2, contra 1/3 se escolher o primeiro candidato.

    P(1)=36=12>13=P(0)P(1)=\frac{3}{6}=\frac{1}{2}>\frac{1}{3}=P(0)
  2. Quatro candidatos, todos os pontos de corte 2 passos

    Com quatro candidatos, calcule a probabilidade de escolher o melhor para cada ponto de corte k = 0, 1, 2, 3 e determine o melhor ponto de corte.

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    1. Com k = 0, escolhe-se o primeiro candidato, que é o melhor com probabilidade 1/4. Para k ≥ 1, use a fórmula:

      P(1)=14(1+12+13)=1124,P(2)=24(12+13)=512,P(3)=34⋅13=14P(1)=\frac{1}{4}\left(1+\frac{1}{2}+\frac{1}{3}\right)=\frac{11}{24},\quad P(2)=\frac{2}{4}\left(\frac{1}{2}+\frac{1}{3}\right)=\frac{5}{12},\quad P(3)=\frac{3}{4}\cdot\frac{1}{3}=\frac{1}{4}
    2. Compare os quatro resultados:

      P(0)=624,P(1)=1124,P(2)=1024,P(3)=624P(0)=\frac{6}{24},\quad P(1)=\frac{11}{24},\quad P(2)=\frac{10}{24},\quad P(3)=\frac{6}{24}

    Resposta

    Rejeite o primeiro e escolha depois o primeiro que o superar: 11/24 ≈ 45,83%.

    k∗=1,P(1)=1124≈0.4583k^*=1,\qquad P(1)=\frac{11}{24}\approx0.4583
  3. As onze candidatas de Kepler 3 passos

    Em 1611, Johannes Kepler começou a procurar uma segunda esposa e, ao longo de quase dois anos, considerou onze candidatas. Aplicando a regra de corte com n = 11, qual é o melhor ponto de corte, que probabilidade oferece e qual é a primeira candidata que a regra pode escolher?

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    1. Calcule a fórmula para valores próximos de n/e = 11/e ≈ 4,05:

      P(4)=411(14+15+⋯+110)=411×1.0956=0.3984P(4)=\frac{4}{11}\left(\frac{1}{4}+\frac{1}{5}+\dots+\frac{1}{10}\right)=\frac{4}{11}\times1.0956=0.3984
    2. A probabilidade é máxima em k = 4; tanto k = 3 como k = 5 dão valores inferiores:

      P(3)=311(13+⋯+110)=0.3897,P(5)=511(15+⋯+110)=0.3844P(3)=\frac{3}{11}\left(\frac{1}{3}+\dots+\frac{1}{10}\right)=0.3897,\qquad P(5)=\frac{5}{11}\left(\frac{1}{5}+\dots+\frac{1}{10}\right)=0.3844
    3. Rejeitadas as primeiras quatro, a quinta é a primeira candidata que a regra pode aceitar. Kepler casou de facto com a quinta, mas não seguiu esta regra. Segundo o relato que Ferguson faz da sua carta, depois de conhecer a quinta, Kepler foi convencido a pedir a quarta em casamento. Ela recusou, e ele voltou à quinta. A regra não permite voltar atrás.

    Resposta

    Rejeite as primeiras 4: a probabilidade é 39,84%. A quinta é a primeira candidata que a regra pode escolher.

    k∗=4,P(4)≈0.3984k^*=4,\qquad P(4)\approx0.3984
  4. Muitos candidatos: de onde vem 1/e 3 passos

    Para n grande, escreva a proporção rejeitada como x = k/n e determine o melhor valor de x e a probabilidade correspondente. Compare depois com n = 100.

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    1. A soma é uma soma de Riemann da função 1/t no intervalo [x, 1]:

      kn∑i=k+1n1i−1=x∑j=kn−11n⋅1j/n≈x∫x1dtt=−xln⁡x\frac{k}{n}\sum_{i=k+1}^{n}\frac{1}{i-1}=x\sum_{j=k}^{n-1}\frac{1}{n}\cdot\frac{1}{j/n}\approx x\int_{x}^{1}\frac{dt}{t}=-x\ln x
    2. Iguale a derivada a zero:

      ddx(−xln⁡x)=−ln⁡x−1=0 ⇒ x=1e,−1eln⁡1e=1e≈0.3679\frac{d}{dx}\left(-x\ln x\right)=-\ln x-1=0\ \Rightarrow\ x=\frac{1}{e},\qquad -\frac{1}{e}\ln\frac{1}{e}=\frac{1}{e}\approx0.3679
    3. Para n = 100, tem-se n/e ≈ 36,79, e o melhor ponto de corte exato é 37:

      P(36)=0.37101,P(37)=0.37104,P(38)=0.37080P(36)=0.37101,\qquad P(37)=0.37104,\qquad P(38)=0.37080

    Resposta

    Rejeite uma proporção 1/e ≈ 36,79%; a probabilidade tende para 1/e. Para n = 100, o melhor ponto de corte é 37, com probabilidade 37,1%.

    x∗=1e,P→1e≈0.3679;n=100: k∗=37, P(37)≈0.3710x^*=\frac{1}{e},\qquad P\to\frac{1}{e}\approx0.3679;\qquad n=100:\ k^*=37,\ P(37)\approx0.3710
  5. Ficar com o último candidato 3 passos

    Há 100 candidatos e rejeitam-se os primeiros 37. Calcule a probabilidade de o melhor estar entre os rejeitados, a de a seleção chegar ao último candidato e a de chegar ao último candidato e este ser o melhor.

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    1. O melhor tem a mesma probabilidade de ocupar qualquer posição, pelo que está entre os primeiros 37 com probabilidade:

      kn=37100=0.37\frac{k}{n}=\frac{37}{100}=0.37
    2. A seleção chega ao candidato 100 precisamente quando nenhum dos candidatos de 38 a 99 é escolhido, ou seja, quando o melhor dos primeiros 99 está entre os primeiros 37:

      kn−1=3799≈0.3737\frac{k}{n-1}=\frac{37}{99}\approx0.3737
    3. A diferença corresponde ao caso em que a seleção chega ao fim e o último candidato é o melhor:

      3799−37100=379900≈0.0037\frac{37}{99}-\frac{37}{100}=\frac{37}{9900}\approx0.0037

    Resposta

    37%, 37,37% e 0,37%: mais de uma seleção em cada três termina no último candidato, quase nunca por ele ser o melhor.

    0.37,0.3737,0.00370.37,\qquad 0.3737,\qquad 0.0037
  6. Três candidatos e a menor classificação esperada 3 passos

    Com três candidatos, o objetivo passa a ser a menor classificação esperada (1 = melhor). Determine a regra ótima por indução retrospetiva e calcule a sua classificação esperada.

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    1. Um candidato que chega na posição i e ocupa o lugar j entre os já observados tem classificação global esperada j(n + 1)/(i + 1). O terceiro candidato tem de ser escolhido e a sua classificação esperada é (n + 1)/2:

      j(n+1)i+1=4ji+1,c2=3+12=2\frac{j(n+1)}{i+1}=\frac{4j}{i+1},\qquad c_2=\frac{3+1}{2}=2
    2. Ao chegar o segundo candidato, escolha-o se a sua classificação esperada for menor ou igual a 2; caso contrário, continue:

      i=2:  j=1: 43<2,j=2: 83>2;c1=12(43+2)=53i=2:\ \ j=1:\ \tfrac{4}{3}<2,\quad j=2:\ \tfrac{8}{3}>2;\qquad c_1=\frac{1}{2}\left(\frac{4}{3}+2\right)=\frac{5}{3}
    3. Escolher o primeiro dá uma classificação esperada de 2, superior a 5/3, pelo que se deve continuar:

      i=1:  42=2>53 ⇒ c0=c1=53i=1:\ \ \frac{4}{2}=2>\frac{5}{3}\ \Rightarrow\ c_0=c_1=\frac{5}{3}

    Resposta

    Rejeite o primeiro, escolha o segundo se superar o primeiro e, caso contrário, escolha o terceiro: a classificação esperada é 5/3 ≈ 1,67. Com três candidatos, esta é precisamente a regra de corte com k = 1.

    c0=53≈1.6667c_0=\frac{5}{3}\approx1.6667
  7. Dois candidatos com pontuações conhecidas 2 passos

    Dois candidatos têm pontuações independentes, com distribuição uniforme entre 0 e 1. Conhece a pontuação de cada um quando chega. Determine a regra que escolhe mais vezes a pontuação mais alta e calcule a sua probabilidade de sucesso. Compare com o caso em que só se conhece a classificação relativa.

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    1. Se rejeitar o primeiro, cuja pontuação é x, terá de escolher o segundo. Ganha quando a pontuação do segundo é superior: probabilidade 1 − x. Se escolher o primeiro, ganha quando a pontuação do segundo é inferior: probabilidade x.

      S(x)=x,C(x)=1−x;S(x)≥C(x)  ⟺  x≥12S(x)=x,\qquad C(x)=1-x;\qquad S(x)\ge C(x)\iff x\ge\tfrac{1}{2}
    2. Deve, portanto, escolher o primeiro quando x ≥ 1/2. Calcule a média em relação a x:

      ∫01/2(1−x) dx+∫1/21x dx=38+38=34\int_{0}^{1/2}(1-x)\,dx+\int_{1/2}^{1}x\,dx=\frac{3}{8}+\frac{3}{8}=\frac{3}{4}

    Resposta

    Escolha o primeiro se a sua pontuação for pelo menos 1/2: a probabilidade de sucesso é 3/4. Conhecendo apenas a classificação relativa, com dois candidatos a probabilidade é 1/2, qualquer que seja a decisão.

    P=34>12P=\frac{3}{4}>\frac{1}{2}

Problemas suplementares, só com a resposta

  1. Com cinco candidatos, determine o melhor ponto de corte e a respetiva probabilidade.

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    Rejeitar os primeiros 2: 13/30 ≈ 43,33%.

    k∗=2,P(2)=25(12+13+14)=1330≈0.4333k^*=2,\qquad P(2)=\frac{2}{5}\left(\frac{1}{2}+\frac{1}{3}+\frac{1}{4}\right)=\frac{13}{30}\approx0.4333
  2. Com dois candidatos e conhecendo apenas a classificação relativa, mostre que qualquer regra escolhe o melhor em metade dos casos.

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    Escolher o primeiro dá uma probabilidade de sucesso de 1/2; rejeitá-lo obriga a escolher o segundo, também com probabilidade 1/2.

    P(0)=12,P(1)=12⋅11=12P(0)=\frac{1}{2},\qquad P(1)=\frac{1}{2}\cdot\frac{1}{1}=\frac{1}{2}
  3. Com dez candidatos e o melhor ponto de corte, calcule a probabilidade de o melhor estar entre os rejeitados e a de a seleção chegar ao último candidato.

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    k = 3: 30% e 3/9 ≈ 33,33%.

    k∗=3:310=0.3,39≈0.3333k^*=3:\quad\frac{3}{10}=0.3,\qquad\frac{3}{9}\approx0.3333
  4. No limite para n grande, calcule a probabilidade de escolher o melhor quando se rejeita um quinto dos candidatos e quando se rejeitam três quintos.

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    −0,2 ln 0,2 ≈ 32,19% e −0,6 ln 0,6 ≈ 30,65%.

    −0.2ln⁡0.2≈0.3219,−0.6ln⁡0.6≈0.3065-0.2\ln0.2\approx0.3219,\qquad-0.6\ln0.6\approx0.3065
  5. Com quatro candidatos, determine a menor classificação esperada que uma regra pode atingir.

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    15/8 = 1,875.

    c0=158=1.875c_0=\frac{15}{8}=1.875

Rejeitar um quarto ou metade dá a mesma probabilidade

A curva é quase plana no topo, o que torna a regra fácil de aplicar. Selecione Rejeitar um quarto: 35,04%. Selecione Rejeitar metade: 34,91%. Para 100 candidatos, o melhor ponto de corte, 37, dá 37,1%. Rejeitar entre um quarto e metade custa, portanto, no máximo 2,2 pontos percentuais. À medida que n cresce, a curva aproxima-se de −x ln x, onde x é a proporção rejeitada. Para um quarto e metade, esta função tem exatamente o mesmo valor, pois ¼ ln 4 = ½ ln 2 ≈ 34,66%. Não precisa, por isso, de conhecer n com grande precisão: mesmo que o estime um terço acima ou um terço abaixo do valor real e rejeite 37% dessa estimativa, para n grande mantém uma probabilidade de pelo menos 34,5%.

Procurar apenas o melhor leva ao último em mais de um terço dos casos

A regra aposta tudo no melhor candidato. Se ele estiver entre os rejeitados, o que acontece em 37% dos casos com 100 candidatos, nenhum dos seguintes consegue superar a referência. A seleção prossegue até ao fim e escolhe quem chegar em último. Selecione Cem, 37 rejeitados: a classificação esperada do candidato escolhido é 20,01. Em 1964, Chow, Moriguti, Robbins e Samuels procuraram uma regra que minimizasse a classificação esperada. Essa regra aceita um candidato que esteja apenas perto do topo entre os já observados, tornando-se menos exigente à medida que restam menos candidatos. Para n = 100, a classificação esperada é 3,60. Mantém-se abaixo de 4 para todos os valores de n disponíveis nesta página e tende para 3,8695. Com a regra dos 37%, a classificação esperada continua a crescer com n e chega a 185,54 para 1 000 candidatos.

Conhecer as pontuações faz a probabilidade subir para 58%

A regra dos 37% usa apenas a classificação relativa: quem supera quem. Suponha agora que conhece a pontuação de cada candidato e a distribuição das pontuações, por exemplo, uniforme entre 0 e 1. Gilbert e Mosteller resolveram esta versão em 1966. Aqui, deixa de haver uma fase inicial de observação sem escolha. Desde o primeiro candidato, escolhe quem for o melhor até ao momento e tiver uma pontuação acima de um limiar. Esse limiar desce à medida que restam menos candidatos: 0,5 quando ainda falta 1, 0,6899 quando faltam 2 e 0,9240 quando faltam 10. A probabilidade de escolher o melhor é 60,6% com 11 candidatos e 58,29% com 100, tendendo para 58,02%, contra 36,79% quando só se conhece a classificação relativa. Saber reconhecer uma boa pontuação vale cerca de 21 pontos percentuais.

Percurso de aprendizagem

Escolher com base no que se vê

Referências (4)