Fórmulas da soma e da diferença de ângulos

Define A e B em graus ou, como é habitual nos exames, pelo valor de uma função trigonométrica e pelo quadrante. Escolhe depois A + B ou A − B. Na figura, chega-se a P em dois percursos: cos B ao longo do eixo rodado e ±sen B na perpendicular. A tabela aplica as três fórmulas. Quando A e B são múltiplos inteiros de 15°, apresenta também os valores exatos do seno e do cosseno em radicais, bem como o da tangente, desde que as tangentes envolvidas estejam definidas.

Seno sin⁡(A±B)=sin⁡Acos⁡B±cos⁡Asin⁡B\sin(A\pm B)=\sin A\cos B\pm\cos A\sin B
Cosseno, sinal contrário cos⁡(A±B)=cos⁡Acos⁡B∓sin⁡Asin⁡B\cos(A\pm B)=\cos A\cos B\mp\sin A\sin B
Tangente tan⁡(A±B)=tan⁡A±tan⁡B1∓tan⁡Atan⁡B\tan(A\pm B)=\frac{\tan A\pm\tan B}{1\mp\tan A\tan B}
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Lição

A teoria — Fórmulas da soma e da diferença de ângulos

As fórmulas da soma e da diferença de ângulos permitem calcular o seno, o cosseno e a tangente de A + B e de A − B a partir dos senos e cossenos de A e de B.

De onde vem a fórmula

  1. Roda os eixos de um ângulo A. O novo eixo x tem a direção e o sentido de (cos A, sen A); o novo eixo y, de (−sen A, cos A). Neste referencial, P faz um ângulo B, pelo que as suas componentes ao longo desses eixos são cos B e sen B, respetivamente.
    P=cos⁡B (cos⁡A, sin⁡A)+sin⁡B (−sin⁡A, cos⁡A)P=\cos B\,(\cos A,\ \sin A)+\sin B\,(-\sin A,\ \cos A)
  2. Determina as coordenadas de P. Em relação ao eixo x original, P faz um ângulo A + B. As suas coordenadas são, portanto, cos(A + B) e sen(A + B). Cada coordenada resulta da soma de dois produtos: os catetos laranja dão a componente horizontal; os azuis, a vertical.
    cos⁡(A+B)=cos⁡Acos⁡B−sin⁡Asin⁡Bsin⁡(A+B)=sin⁡Acos⁡B+cos⁡Asin⁡B\begin{aligned}\cos(A+B)&=\cos A\cos B-\sin A\sin B\\ \sin(A+B)&=\sin A\cos B+\cos A\sin B\end{aligned}
  3. Substitui B por −B. Como cos(−B) = cos B e sen(−B) = −sen B, só mudam de sinal os termos que contêm sen B.
    cos⁡(A−B)=cos⁡Acos⁡B+sin⁡Asin⁡Bsin⁡(A−B)=sin⁡Acos⁡B−cos⁡Asin⁡B\begin{aligned}\cos(A-B)&=\cos A\cos B+\sin A\sin B\\ \sin(A-B)&=\sin A\cos B-\cos A\sin B\end{aligned}
  4. Divide o seno pelo cosseno. Ao dividir todos os termos por cos A cos B, obtêm-se tangentes e um termo igual a 1. Para o fazer, cos A e cos B têm de ser diferentes de zero.
    tan⁡(A+B)=sin⁡Acos⁡B+cos⁡Asin⁡Bcos⁡Acos⁡B−sin⁡Asin⁡B=tan⁡A+tan⁡B1−tan⁡Atan⁡B\tan(A+B)=\frac{\sin A\cos B+\cos A\sin B}{\cos A\cos B-\sin A\sin B}=\frac{\tan A+\tan B}{1-\tan A\tan B}

Problemas resolvidos na íntegra

  1. Um valor exato a partir da soma de ângulos notáveis 2 passos

    Calcula o valor exato de sen 75°.

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    1. 75° = 45° + 30°, e conhecemos os valores exatos do seno e do cosseno de ambos os ângulos. Pela fórmula da soma:

      sin⁡75∘=sin⁡45∘cos⁡30∘+cos⁡45∘sin⁡30∘\sin75^{\circ}=\sin45^{\circ}\cos30^{\circ}+\cos45^{\circ}\sin30^{\circ}
    2. Substituindo os valores e reduzindo os termos ao denominador 4:

      =22⋅32+22⋅12=64+24=\frac{\sqrt{2}}{2}\cdot\frac{\sqrt{3}}{2}+\frac{\sqrt{2}}{2}\cdot\frac{1}{2}=\frac{\sqrt{6}}{4}+\frac{\sqrt{2}}{4}

    Resposta

    sen 75° = (√6 + √2)/4 ≈ 0,9659.

    sin⁡75∘=6+24≈0.9659\sin75^{\circ}=\frac{\sqrt{6}+\sqrt{2}}{4}\approx0{.}9659
  2. Uma tangente exata a partir de uma diferença 2 passos

    Calcula o valor exato de tg 15° na forma a + b√3.

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    1. 15° = 60° − 45°, com tg 60° = √3 e tg 45° = 1:

      tan⁡15∘=tan⁡60∘−tan⁡45∘1+tan⁡60∘tan⁡45∘=3−11+3\tan15^{\circ}=\frac{\tan60^{\circ}-\tan45^{\circ}}{1+\tan60^{\circ}\tan45^{\circ}}=\frac{\sqrt{3}-1}{1+\sqrt{3}}
    2. Para racionalizar o denominador, multiplicamos o numerador e o denominador por √3 − 1:

      =(3−1)2(3+1)(3−1)=4−232=2−3=\frac{(\sqrt{3}-1)^{2}}{(\sqrt{3}+1)(\sqrt{3}-1)}=\frac{4-2\sqrt{3}}{2}=2-\sqrt{3}

    Resposta

    tg 15° = 2 − √3 ≈ 0,2679.

    tan⁡15∘=2−3≈0.2679\tan15^{\circ}=2-\sqrt{3}\approx0{.}2679
  3. Um seno e um cosseno em quadrantes diferentes 3 passos

    sen A = 4/5, com A obtuso, e cos B = −5/13, com 180° < B < 270°. Calcula sen(A + B), cos(A + B) e tg(A + B) e indica o quadrante de A + B.

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    1. Calculamos primeiro os dois valores em falta, usando sen² + cos² = 1 e o sinal correspondente a cada quadrante: o cosseno é negativo no quadrante II e o seno é negativo no quadrante III.

      cos⁡A=−1−1625=−35,sin⁡B=−1−25169=−1213\cos A=-\sqrt{1-\tfrac{16}{25}}=-\tfrac{3}{5},\qquad\sin B=-\sqrt{1-\tfrac{25}{169}}=-\tfrac{12}{13}
    2. Aplicamos depois as fórmulas da soma:

      sin⁡(A+B)=45(−513)+(−35)(−1213)=−20+3665=1665cos⁡(A+B)=(−35)(−513)−45(−1213)=15+4865=6365\begin{aligned}\sin(A+B)&=\tfrac{4}{5}\left(-\tfrac{5}{13}\right)+\left(-\tfrac{3}{5}\right)\left(-\tfrac{12}{13}\right)=\tfrac{-20+36}{65}=\tfrac{16}{65}\\ \cos(A+B)&=\left(-\tfrac{3}{5}\right)\left(-\tfrac{5}{13}\right)-\tfrac{4}{5}\left(-\tfrac{12}{13}\right)=\tfrac{15+48}{65}=\tfrac{63}{65}\end{aligned}
    3. Ambos os valores são positivos. A soma A + B está entre 270° e 450°. Como o seno e o cosseno são positivos, tem de estar entre 360° e 450°, no quadrante I. A tangente é o quociente:

      tan⁡(A+B)=16/6563/65=1663\tan(A+B)=\frac{16/65}{63/65}=\frac{16}{63}

    Resposta

    sen(A + B) = 16/65 ≈ 0,2462, cos(A + B) = 63/65 ≈ 0,9692, tg(A + B) = 16/63 ≈ 0,254 e A + B pertence ao quadrante I.

    sin⁡(A+B)=1665,cos⁡(A+B)=6365,tan⁡(A+B)=1663\sin(A+B)=\tfrac{16}{65},\quad\cos(A+B)=\tfrac{63}{65},\quad\tan(A+B)=\tfrac{16}{63}
  4. A soma de dois ângulos a partir das tangentes 2 passos

    tg A = 1/2 e tg B = 1/3, com A e B agudos. Determina A + B sem calculadora.

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    1. Substituímos as duas tangentes na fórmula:

      tan⁡(A+B)=12+131−12⋅13=5/65/6=1\tan(A+B)=\frac{\tfrac{1}{2}+\tfrac{1}{3}}{1-\tfrac{1}{2}\cdot\tfrac{1}{3}}=\frac{5/6}{5/6}=1
    2. As duas tangentes são inferiores a 1, pelo que A e B são ambos inferiores a 45° e A + B está entre 0° e 90°. Nesse intervalo, o único ângulo com tangente igual a 1 é 45°.

      0∘<A+B<90∘,tan⁡(A+B)=1 ⇒ A+B=45∘0^{\circ}<A+B<90^{\circ},\quad\tan(A+B)=1\ \Rightarrow\ A+B=45^{\circ}

    Resposta

    A + B = 45°, embora A ≈ 26,5651° e B ≈ 18,4349° não sejam ângulos notáveis.

    A+B=45∘A+B=45^{\circ}
  5. Quando tg(A + B) não está definida 3 passos

    tg A = 2 e tg B = 1/2, com A e B agudos. O que acontece a tg(A + B) e qual é o valor de A + B?

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    1. O denominador da fórmula é zero:

      1−tan⁡Atan⁡B=1−2⋅12=01-\tan A\tan B=1-2\cdot\tfrac{1}{2}=0
    2. Esse denominador é igual a cos(A + B)/(cos A cos B). Como cos A cos B é diferente de zero, temos

      1−tan⁡Atan⁡B=cos⁡(A+B)cos⁡Acos⁡B=0 ⇒ cos⁡(A+B)=01-\tan A\tan B=\frac{\cos(A+B)}{\cos A\cos B}=0\ \Rightarrow\ \cos(A+B)=0
    3. A soma A + B está entre 0° e 180°, e o único ângulo nesse intervalo com cosseno igual a 0 é 90°:

      0∘<A+B<180∘ ⇒ A+B=90∘0^{\circ}<A+B<180^{\circ}\ \Rightarrow\ A+B=90^{\circ}

    Resposta

    tg(A + B) não está definida, pois A + B = 90°. Para A e B agudos, a igualdade tg A tg B = 1 significa sempre que os ângulos somam 90°.

    A+B=90∘,cos⁡(A+B)=0A+B=90^{\circ},\qquad\cos(A+B)=0
  6. Reconhecer a fórmula de uma diferença 2 passos

    Calcula o valor exato de cos 80° cos 20° + sen 80° sen 20°.

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    1. A expressão cos · cos + sen · sen corresponde à fórmula de cos(A − B), aqui com A = 80° e B = 20°:

      cos⁡80∘cos⁡20∘+sin⁡80∘sin⁡20∘=cos⁡(80∘−20∘)\cos80^{\circ}\cos20^{\circ}+\sin80^{\circ}\sin20^{\circ}=\cos(80^{\circ}-20^{\circ})
    2. Como 80° − 20° = 60°:

      =cos⁡60∘=12=\cos60^{\circ}=\tfrac{1}{2}

    Resposta

    cos 80° cos 20° + sen 80° sen 20° = cos 60° = 1/2.

    cos⁡80∘cos⁡20∘+sin⁡80∘sin⁡20∘=12\cos80^{\circ}\cos20^{\circ}+\sin80^{\circ}\sin20^{\circ}=\tfrac{1}{2}
  7. Demonstrar uma identidade 3 passos

    Demonstra que sen(A + B) + sen(A − B) = 2 sen A cos B e verifica a igualdade para A = 45° e B = 30°.

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    1. Aplicamos as fórmulas aos dois senos:

      sin⁡(A+B)+sin⁡(A−B)=(sin⁡Acos⁡B+cos⁡Asin⁡B)+(sin⁡Acos⁡B−cos⁡Asin⁡B)\sin(A+B)+\sin(A-B)=(\sin A\cos B+\cos A\sin B)+(\sin A\cos B-\cos A\sin B)
    2. Os termos cos A sen B anulam-se:

      =2sin⁡Acos⁡B=2\sin A\cos B
    3. Para 45° e 30°, o primeiro membro é sen 75° + sen 15° e o segundo é 2 sen 45° cos 30°:

      6+24+6−24=62=2⋅22⋅32\frac{\sqrt{6}+\sqrt{2}}{4}+\frac{\sqrt{6}-\sqrt{2}}{4}=\frac{\sqrt{6}}{2}=2\cdot\frac{\sqrt{2}}{2}\cdot\frac{\sqrt{3}}{2}

    Resposta

    sen(A + B) + sen(A − B) = 2 sen A cos B para quaisquer A e B; para 45° e 30°, ambos os membros são iguais a √6/2 ≈ 1,2247.

    sin⁡(A+B)+sin⁡(A−B)=2sin⁡Acos⁡B\sin(A+B)+\sin(A-B)=2\sin A\cos B
  8. Deduzir as fórmulas do ângulo duplo 2 passos

    Faz B = A nas fórmulas da soma para obter sen 2A e cos 2A. Calcula depois ambos os valores para sen A = 3/5, com A obtuso.

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    1. Com B = A, os dois produtos na fórmula do seno são iguais e a fórmula do cosseno dá uma diferença de quadrados:

      sin⁡2A=2sin⁡Acos⁡A,cos⁡2A=cos⁡2A−sin⁡2A\sin2A=2\sin A\cos A,\qquad\cos2A=\cos^{2}A-\sin^{2}A
    2. Como A é obtuso, cos A = −4/5:

      sin⁡2A=2⋅35⋅(−45)=−2425,cos⁡2A=1625−925=725\sin2A=2\cdot\tfrac{3}{5}\cdot\left(-\tfrac{4}{5}\right)=-\tfrac{24}{25},\qquad\cos2A=\tfrac{16}{25}-\tfrac{9}{25}=\tfrac{7}{25}

    Resposta

    sen 2A = −24/25 = −0,96 e cos 2A = 7/25 = 0,28. O ângulo 2A ≈ 286,2602° pertence ao quadrante IV, onde o seno é negativo e o cosseno é positivo.

    sin⁡2A=−2425,cos⁡2A=725\sin2A=-\tfrac{24}{25},\qquad\cos2A=\tfrac{7}{25}
  9. Uma equação com uma soma de ângulos 3 passos

    Resolve sen(x + 30°) = 2 cos x para 0° ≤ x < 360°.

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    1. Aplicamos a fórmula da soma ao primeiro membro:

      sin⁡xcos⁡30∘+cos⁡xsin⁡30∘=32sin⁡x+12cos⁡x\sin x\cos30^{\circ}+\cos x\sin30^{\circ}=\tfrac{\sqrt{3}}{2}\sin x+\tfrac{1}{2}\cos x
    2. Reunimos os termos com cos x no segundo membro e dividimos por cos x. Este não pode ser 0, pois a equação obrigaria também a ter sen x = 0, e nenhum ângulo tem seno e cosseno ambos nulos.

      32sin⁡x=32cos⁡x ⇒ tan⁡x=3\tfrac{\sqrt{3}}{2}\sin x=\tfrac{3}{2}\cos x\ \Rightarrow\ \tan x=\sqrt{3}
    3. A tangente tem período 180°:

      x=60∘,x=60∘+180∘=240∘x=60^{\circ},\qquad x=60^{\circ}+180^{\circ}=240^{\circ}

    Resposta

    x = 60° ou x = 240°. Para 60°, ambos os membros são iguais a 1; para 240°, são iguais a −1.

    x=60∘, 240∘x=60^{\circ},\ 240^{\circ}

Problemas suplementares, só com a resposta

  1. Calcula o valor exato de cos 105°.

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    (√2 − √6)/4 ≈ −0,2588

    cos⁡105∘=2−64\cos105^{\circ}=\frac{\sqrt{2}-\sqrt{6}}{4}
  2. Calcula o valor exato de tg 105°.

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    −2 − √3 ≈ −3,7321

    tan⁡105∘=−2−3\tan105^{\circ}=-2-\sqrt{3}
  3. sen A = 5/13 e cos B = 3/5, com A e B agudos. Calcula cos(A − B).

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    56/65 ≈ 0,8615

    cos⁡(A−B)=5665\cos(A-B)=\tfrac{56}{65}
  4. Escreve sen 3x cos x − cos 3x sen x como uma única função trigonométrica.

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    sen 2x

    sin⁡3xcos⁡x−cos⁡3xsin⁡x=sin⁡2x\sin3x\cos x-\cos3x\sin x=\sin2x
  5. tg A = 3 e tg B = 1/2, com A e B agudos. Determina A − B.

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    A − B = 45°

    A−B=45∘A-B=45^{\circ}
  6. Resolve cos(x − 60°) = sen x para 0° ≤ x < 360°.

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    x = 75° ou x = 255°

    x=75∘, 255∘x=75^{\circ},\ 255^{\circ}

As fórmulas descrevem uma rotação

Em relação ao eixo rodado de A, o ponto P faz um ângulo B. Para lá chegar, percorremos cos B ao longo desse eixo até Q e depois sen B na perpendicular. Cada percurso tem uma componente horizontal e uma vertical. Na horizontal, temos cos A cos B e depois −sen A sen B, correspondente ao percurso em sentido contrário. Na vertical, temos sen A cos B e depois cos A sen B. A coordenada horizontal de P é cos(A + B); a vertical é sen(A + B). O raciocínio aplica-se a qualquer quadrante, pois os produtos já incluem os sinais: quando um cateto muda de sentido, o produto correspondente muda de sinal. Seleciona sen A=4/5, cos B=−5/13: A é obtuso, B pertence ao quadrante III e Q fica no eixo rodado, para trás de O. As mesmas somas continuam a dar o ponto P, de coordenadas (0,9692; 0,2462). Em linguagem matricial, (cos(A + B), sen(A + B)) resulta de aplicar a matriz de rotação de ângulo A a (cos B, sen B). As duas fórmulas exprimem assim a mesma propriedade: rodar de A e depois de B equivale a rodar de A + B. No século II, Ptolemeu trabalhava com cordas em vez de senos. As suas regras para a corda da soma e da diferença de arcos correspondem às duas fórmulas do seno e permitiram-lhe construir uma tabela de cordas com intervalos de meio grau.

sen(A + B) quase nunca é igual a sen A + sen B

Seleciona sen 75° = sen(45° + 30°). A soma sen 45° + sen 30° = 0,7071 + 0,5 = 1,2071 ultrapassa o valor máximo de um seno, enquanto sen 75° = 0,9659. Na fórmula, cada seno é multiplicado pelo cosseno do outro ângulo, cujo valor absoluto não excede 1. As duas expressões só coincidem quando A, B ou A + B corresponde a um número inteiro de voltas. A fatorização da diferença mostra porquê: sen A + sen B − sen(A + B) = 4 sen(A/2) sen(B/2) sen((A + B)/2). A igualdade falha, portanto, para quase todos os pares de ângulos. Verifica-se, por exemplo, para 120° e 240°, pois A + B = 360° e ambos os membros são 0.

A fórmula da tangente pode falhar mesmo quando a tangente existe

Seleciona A = 90°, B = 45°. Temos tg 135° = −1, mas a fórmula exige tg 90°, que não está definida. Por isso, a fórmula também não dá um valor. Na sua dedução, dividiu-se por cos A cos B, e cos 90° = 0. Se dividirmos o numerador e o denominador por tg A, onde esta estiver definida e for diferente de 0, obtemos (1 + cotg A tg B)/(cotg A − tg B). Esta expressão também está definida para A = 90°: como cotg 90° = 0, resulta 1/(0 − 1) = −1. Há ainda um caso em que a própria tangente não existe. Seleciona tg A = 2, tg B = 1/2: o denominador 1 − tg A tg B é 0. Este denominador é igual a cos(A + B)/(cos A cos B), pelo que se anula precisamente quando cos(A + B) se anula. Aqui, A + B = 90° e a tangente não está definida. Para ângulos agudos, tg A tg B = 1 significa que B = 90° − A.

Percurso de aprendizagem

Identidades e equações trigonométricas

Referências (2)